2017-02-24 - Previsões económicas de inverno de 2017: navegar em mares alterosos


Previsões económicas de inverno - 2017 ©UE
A Comissão Europeia apresenta as previsões económicas de inverno de 2017. As previsões abrangem não só a União Europeia e a área do euro no seu todo, como os Estados-Membros individualmente, e algumas das principais economias mundiais. A Comissão Europeia prevê que o crescimento do PIB na área do euro atinja 1,6% em 2017 e 1,8% em 2018, valores ligeiramente superiores às previsões de outono.

As economias de todos os Estados-Membros da UE deverão crescer em 2016, 2017 e 2018, continuando a procura interna a ser a espinha dorsal do crescimento económico. Para Portugal prevê-se um crescimento do PIB de 1,6% em 2017 e 1,5% em 2018, melhorias face às previsões de outono, explicado em larga medida pela exportação de serviços, com um forte setor turístico a suportar o crescimento da economia e desenvolvimentos favoráveis no emprego dos portugueses.

A recuperação global deverá acelerar num contexto em que as perspetivas de crescimento das economias avançadas exteriores à UE têm vindo a melhorar nos últimos meses e o crescimento das economias dos mercados emergentes deverá também consolidar-se até 2018, não obstante as variações regionais. Globalmente, esta situação poderá impulsionar as exportações europeias, tanto de bens como de serviços, na sequência de uma fraca evolução em 2016.

O investimento deverá continuar a aumentar, mas só moderadamente, apoiado por uma série de fatores como os baixos custos do financiamento e um reforço da atividade económica a nível mundial. Os projetos financiados no âmbito do Plano de Investimento para a Europa contribuirão cada vez mais para o investimento público e privado. Em termos globais, o investimento na área do euro deverá crescer 2,9 % este ano e 3,4 % em 2018 (2,9 % e 3,1 % na UE). No entanto, o peso do investimento em relação ao PIB mantém-se abaixo dos valores que apresentava no início do século (20% em 2016, contra 22% no período de 2000-2005). A persistente fragilidade do investimento suscita dúvidas quanto à sustentabilidade da recuperação e ao potencial crescimento da economia.

A recuperação económica continua a ter fortes efeitos positivos nos mercados de trabalho, na sequência de vastas reformas estruturais em diversos Estados-Membros. A taxa de desemprego na área do euro deverá continuar a diminuir, passando de 10,0 % em 2016 para 9,6 % este ano e 9,1 % em 2018: os valores mais baixos desde 2009, embora ainda acima dos níveis que precederam a crise. De modo geral, a inflação na área do euro deverá aumentar em 0,2% em 2016 para 1,7 % em 2017 e 1,4 % em 2018.

Tendo dado provas de solidez perante os desafios globais do ano passado, a recuperação económica da Europa deverá prosseguir este ano e no próximo: pela primeira vez numa década, prevê-se que as economias de todos os Estados-Membros da UE cresçam ao longo de todo o período das previsões (2016, 2017 e 2018). No entanto, as perspetivas são afetadas por uma incerteza maior do que o habitual.

O PIB real na área do euro aumentou durante 15 trimestres consecutivos, o emprego tem vindo a crescer a um ritmo robusto e o desemprego continua em queda, embora se mantenha acima dos níveis anteriores à crise. O consumo privado continua a ser o motor da recuperação. Mantém-se o aumento do investimento, embora a níveis modestos.

Nas suas previsões do inverno, a Comissão Europeia prevê que o crescimento do PIB na área do euro atinja 1,6 % em 2017 e 1,8 % em 2018. Esses valores aumentaram ligeiramente em relação às previsões do outono (2017: 1,5%, 2018: 1.7%), graças a um desempenho melhor do que o previsto no segundo semestre de 2016 e a um comportamento da economia bastante robusto no início de 2017. O crescimento do PIB no conjunto da UE deverá seguir uma trajetória semelhante e situar-se em 1,8 % tanto este ano como no próximo (Previsões da primavera: 2017: 1,6 %, 2018: 1,8 %).

Os riscos inerentes a estas projeções são excecionalmente elevados e, embora tenham aumentado tanto no sentido do aquecimento como do arrefecimento da economia, o saldo global continua a apontar para uma evolução negativa.

Para Portugal prevê-se um crescimento do PIB de 1,6% em 2017 e 1,5% em 2018, melhorias face às previsões de outono, explicado em larga medida pela exportação de serviços, com um forte setor turístico a suportar o crescimento da economia.


Em Portugal a previsão dos números do desemprego mantem-se estável, prevendo-se uma descida de 11,2% no ano passado, para 10,1% em 2017 e 9,4% em 2018. A dívida pública bruta, em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB), também diminui nos próximos anos segundo as projeções, atingindo 128,9% em 2017 e 127,1% em 2018, tendo a perspetiva da Comissão melhorado para os anos em causa.

As previsões fecham com uma redução do défice orçamental público, cuja estimativa é melhorada, passando a 2% do PIB em 2017 e 2,4% do PIB em 2018, uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais em cada um dos anos.

Segundo a estimativa da Comissão Europeia, em Portugal, a balança de transações correntes manter-se-á superavitária em 2017 e 2018, embora com menos força do que o estimado em novembro. A inflação não regista alterações significativas nos exercícios de análise, mantendo-se entre 1,2% e 1,3% no biénio 2017-2018.

A incerteza particularmente elevada que afeta as presentes previsões de inverno resulta das intenções da nova administração dos EUA em importantes domínios de intervenção, que ainda deverão ser esclarecidas, bem como dos numerosos processos eleitorais que irão decorrer na Europa este ano e das futuras negociações relativas à aplicação do artigo 50.º pelo Reino Unido.

O saldo desses riscos continua a apontar para a baixa, embora tenham aumentado de modo geral os riscos de revisão das previsões, tanto em alta como em baixa

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